Um novo relatório da Oxford Economics, intitulado The Global Value of LEO Satellite Broadband Services e encomendado pela Amazon, estima que os serviços de banda larga por satélite em órbita baixa da Terra (LEO, na sigla em inglês) podem gerar até R$ 89 bilhões em atividade econômica e sustentar quase 640 mil empregos no Brasil até 2035.
Apesar dos avanços significativos na expansão da infraestrutura digital, as lacunas de conectividade no Brasil persistem. Aproximadamente 86% da população urbana usava a internet em 2024, em comparação com 76% da população rural, uma diferença de cerca de 10 pontos percentuais. Cerca de 22% da população vive a mais de 25 km da infraestrutura de banda larga fixa, e quase 15% têm acesso apenas à banda larga móvel. A pesquisa explora como a banda larga por satélite LEO pode ajudar a fechar essas lacunas de conectividade no Brasil.
Por que a lacuna digital brasileira ainda importa?
O Brasil é um dos maiores países do mundo, com uma área territorial de 8,3 milhões de km² e embora sua população esteja concentrada em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná, grandes comunidades urbanas e rurais estão distribuídas por todo o território, dos estados densamente florestados do Acre e Amazonas aos pantanais de Goiás e Mato Grosso do Sul. Essa geografia vasta e complexa, aliada a desigualdades socioeconômicas, gera disparidades significativas na conectividade à internet entre as regiões.
Em 2023, as regiões Centro-Oeste e Sudeste, mais ricas e densamente povoadas, apresentaram mais de 91% de usuários de internet, enquanto as regiões Norte e Nordeste ficaram abaixo de 85%. Ainda que o país tenha feito enormes progressos na expansão da rede de banda larga fixa, uma grande parcela da população ainda depende da banda larga móvel. Para comunidades em áreas remotas, da bacia amazônica às regiões semiáridas do Nordeste, a conectividade confiável e acessível não é garantida. É nesse cenário que a banda larga por satélite LEO pode fazer uma diferença real.
O que a banda larga por satélite LEO pode significar para a economia brasileira
A Oxford Economics modelou três cenários que refletem diferentes níveis de adoção da tecnologia LEO, desde uma adesão limitada em áreas remotas sem cobertura até uma adoção ampla. Para o Brasil, o relatório estima para 2035:
- Cenário incremental: aproximadamente 5,9 milhões de pessoas utilizando serviços de internet habilitados por LEO;2,2 milhões de domicílios;R$12 bilhões em PIB decorrente de melhorias na produtividade e 87 mil empregos gerados.
- Cenário intermediário: mais 8,9 milhões de usuários LEO em 3,3 milhões de domicílios, gerando até R$ 51 bilhões em atividade econômica e sustentando quase 370 mil empregos.
- Cenário transformador: ganhos econômicos ainda maiores à medida que a tecnologia se torna mais competitiva em custo e os serviços se consolidam. 14 milhões de usuários LEO em 5,1 milhões de domicílios, podendo gerar R$ 89 bilhões em atividade econômica e quase 640 mil empregos.
O que torna a banda larga por satélite LEO diferente
Os satélites LEO orbitam aproximadamente entre 20 e 60vezes mais perto da Terra do que os satélites geoestacionários tradicionais, possibilitando internet de alta velocidade e baixa latência que pode se aproximar do desempenho da fibra ótica. Isso torna a tecnologia especialmente capaz de alcançar comunidades que as redes terrestres não conseguem atender de forma economicamente viável. As conexões LEO também são baseadas no espaço, o que significa que estão isoladas de interrupções terrestres e danos físicos, tornando-as essenciais para resiliência em emergências. E como os assinantes podem instalar por conta própria uma antena e um modem, sem necessidade de engenheiros especializados, a implantação é mais rápida e simples do que os modelos tradicionais de infraestrutura.
Impulsionando oportunidades para pequenas empresas
Pequenas e médias empresas estão entre as maiores beneficiárias potenciais da expansão da conectividade LEO. O relatório identifica cinco caminhos principais pelos quais o acesso aprimorado à internet impulsiona o crescimento econômico: desde permitir que empresas remotas entrem no e-commerce e alcancem novos clientes, até reduzir custos operacionais por meio de comunicação digital e trabalho remoto, abertura de portas para serviços bancários digitais, desenvolvimento de habilidades e tecnologias avançadas como IA.
- Expansão de mercado: o acesso à internet permite que pequenas e médias empresas em áreas remotas entrem no e-commerce, alcancem novas bases de clientes nacionais e internacionais e utilizem ferramentas de marketing digital para ampliar sua visibilidade além das fronteiras físicas.
- Redução de custos: transações online, comunicação digital e capacidade de trabalho remoto reduzem os custos operacionais de empresas que anteriormente não tinham conectividade acessível e confiável.
- Inclusão financeira: serviços bancários digitais, pagamentos móveis e acesso a crédito oferecem às pequenas e médias empresas ferramentas financeiras antes inacessíveis, especialmente em mercados de baixa renda e rurais onde o setor bancário formal é limitado.
- Inovação e empreendedorismo: a conectividade abre portas para o desenvolvimento de habilidades digitais, novos modelos de negócios e adoção de IA, IoT, agricultura de precisão e outras tecnologias avançadas.
- Conectividade de cadeias de suprimentos e setores: empresas nos setores de agricultura, logística, marítimo e energia ganham capacidades habilitadas pela tecnologia LEO, como agricultura de precisão, gestão de frotas e conectividade offshore, que já existiam antes, mas eram proibitivamente caras em escala.
Como afirma Henry Worthington, diretor-gerente da Oxford Economics, a banda larga por satélite LEO tem o potencial de se tornar um complemento importante às redes terrestres, estendendo o acesso à internet a comunidades que há muito tempo são mal atendidas pela infraestrutura tradicional. Segundo ele, a análise mostra que, sob as condições certas, uma adoção mais ampla poderia gerar benefícios econômicos substanciais ao melhorar a produtividade, apoiar a inclusão digital e ajudar mais pessoas e empresas a participarem da economia digital.
Leia o relatório completo da Oxford Economics, The Global Value of LEO Satellite Broadband Services, aqui.