A Amazon anunciou, durante o AWS Summit São Paulo, a expansão de seu programa de reposição de água no Brasil com dois novos projetos e o lançamento do programa ambiental Guardiões do Japi, voltado à proteção de uma das mais importantes reservas de Mata Atlântica do estado de São Paulo.
As novas iniciativas hídricas, baseadas em Inteligência Artificial, devem economizar 785 milhões de litros de água por ano em São Paulo e Minas Gerais. Combinadas com projetos já existentes, o volume total de água preservada no Brasil chegará a 1,3 bilhão de litros anuais, o suficiente para abastecer quase 8.000 residências brasileiras durante um ano inteiro.
IA para detectar vazamentos e otimizar irrigação
Em São Paulo, a Amazon expandiu um projeto iniciado em 2025 com a Aganova e a Sabesp, concessionária que atende a região metropolitana. O sistema Nautilus, da Aganova, opera dentro das tubulações sem interromper o abastecimento. Usando coleta avançada de dados e análises baseadas em IA na AWS, a tecnologia detecta e localiza com precisão vazamentos e bolsas de ar ocultas, problemas que métodos convencionais frequentemente não conseguem identificar. A expansão adicionará uma economia de 585 milhões de litros de água por ano, elevando o total do projeto para 795 milhões de litros.
Em Minas Gerais, a Amazon financiará integralmente um projeto com a empresa de agritecnologia Phytech para monitorar a saúde das plantas e a umidade do solo em mais de 390 hectares de terras agrícolas. A tecnologia consiste em sensores instalados nas plantas que permitem aos agricultores adaptar a irrigação às necessidades reais das culturas, acompanhando o uso de água em tempo real e evitando regas desnecessárias.
A intervenção focará nas bacias dos rios Velhas e Paraopeba, onde a demanda por água supera em 60% a disponibilidade. A iniciativa ajudará os agricultores a reduzir a captação de água em 200 milhões de litros por ano, liberando 2 bilhões de litros ao longo dos próximos 10 anos para as comunidades locais e o meio ambiente.
"As regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte estão entre as mais populosas do país, com um total de cerca de 28 milhões de pessoas. Garantir a segurança hídrica para essas populações é fundamental, e tecnologias como IA e nuvem são grandes aliadas para alcançar esse objetivo", diz Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil.
Guardiões do Japi: protegendo a Mata Atlântica e a segurança hídrica
Também durante o AWS Summit, a AWS lançou o programa Guardiões do Japi, uma iniciativa de conservação ambiental que será executada pelo Centro de Orientação Ambiental e Tecnologias Integradas (COATI) em cooperação estratégica com a Fundação Serra do Japi.
A Serra do Japi é uma das mais importantes reservas de Mata Atlântica no estado de São Paulo, cobrindo cerca de 35 mil hectares em municípios como Jundiaí, Pirapora do Bom Jesus, Cabreúva e Cajamar. Reconhecida como Reserva da Biosfera pela UNESCO, a região é estratégica para o abastecimento de água de mais de 100 mil pessoas, mas enfrenta desafios crescentes como pressão urbana, fragmentação florestal, queimadas sazonais e degradação de nascentes.
Ao longo de 12 meses, o programa atuará em cinco frentes:
- Observatório ambiental: Criação de uma plataforma de dados abertos e mapas interativos para subsidiar decisões sobre recursos hídricos e uso do solo na região.
- Combate a incêndios: Reequipamento completo da Brigada de Incêndio voluntária da Fundação Serra do Japi e mapeamento preventivo de riscos de queimadas.
- Educação ambiental: Capacitação de 800 alunos de escolas públicas e privadas por meio de aulas de campo e oficinas de biodiversidade, transformando estudantes em jovens cientistas.
- Restauração ecológica: Plantio de 200 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica e restauração de áreas prioritárias, incluindo a Cachoeira Morangaba e o Morro da Baleia.
- Governança transparente: Acompanhamento trimestral de metas e indicadores socioambientais por um Conselho Consultivo composto por representantes da AWS, da Fundação Serra do Japi e do COATI.
"Uma das formas de alcançar nossa meta de devolver mais água do que utilizamos é unir forças com organizações como o COATI e a Fundação Serra do Japi, capazes de estruturar um programa que abranja diversos aspectos da preservação ambiental", afirma Andréa Leal, Gerente de Relacionamento com Comunidades na AWS na América Latina. "O Guardiões do Japi também está alinhado à nossa missão de gerar impacto positivo nas comunidades onde temos data centers."
Um portfólio crescente de projetos hídricos no Brasil
Os anúncios de hoje se somam a outras iniciativas já em andamento no país. No início deste ano, a Amazon anunciou um projeto em Recife com a Aganova e a concessionária local Compesa para reduzir vazamentos em 165 milhões de litros de água por ano. Em São Paulo, outro projeto com a empresa de tecnologia climática Kilimo otimiza o uso da água por meio de sensores de umidade do solo para agricultores ao redor do Rio Tietê, com meta de economizar 200 milhões de litros anuais.
Há ainda uma colaboração com a Fundação SOS Mata Atlântica para plantar 110 mil árvores nativas em 44 hectares de Áreas de Preservação Permanente nas bacias dos rios PCJ e Sorocaba, com estimativa de reabastecer 144 milhões de litros de água por ano.
Globalmente, a Amazon já anunciou mais de 50 projetos de reposição de água que, uma vez concluídos, devem devolver mais de 24 bilhões de litros de água anualmente. A AWS está atualmente a 75% de sua meta de ser water positive até 2030, em 2025, devolveu três litros para cada quatro utilizados em suas operações diretas de data center.