Vinte anos atrás, a Amazon Web Services (AWS) começou com uma ideia radical: e se as empresas pudessem acessar infraestrutura de computação da mesma forma que consomem eletricidade? O que parecia impossível em 2006 tornou-se realidade, transformando a maneira como startups, empresas e até missões espaciais constroem tecnologia. E assim nasceu a “nuvem” que conhecemos hoje.
A AWS lança mais de 390 milhões de instâncias EC2 todos os dias e o Amazon S3 processa mais de 200 milhões de solicitações por segundo. Se você empilhasse todos os discos rígidos necessários para armazenar esses dados, a pilha alcançaria a Estação Espacial Internacional e quase voltaria. Mas por trás desses números está uma história fascinante.
Começos improváveis
A história da AWS está repleta de momentos únicos. Andy Jassy, que começou como estagiário de MBA, tornou-se o primeiro gerente de produto da AWS e eventualmente CEO da Amazon. Decisões cruciais sobre o futuro da computação em nuvem aconteceram em conversas casuais em um pub de Seattle. E o revolucionário Amazon EC2 foi construído por apenas oito pessoas trabalhando na África do Sul, a 16.415,31 km de Seattle.
Quando o S3 foi lançado em março de 2006, o iPhone ainda não existia, as pessoas jogavam "Snake II" em seus Nokias. Explicar o que era uma instância EC2 era tão difícil que a equipe brincava sobre "pequenos elfos em patins" entregando poder de computação. As primeiras contas eram tão baixas que clientes achavam que havia um erro.
Impacto transformador
A nuvem possibilitou o surgimento de gigantes como Netflix, Airbnb e Slack. No Brasil, Nubank, iFood, QuintoAndar, C6 Bank e Hotmart transformaram ideias em grandes marcas. Quem se lembra do Peixe Urbano? Ele também. A AWS revolucionou indústrias inteiras: streaming em mídia, serviços financeiros, telemedicina em saúde, e muito mais.
Clientes iniciais têm histórias incríveis: um não precisava mais voar entre estados para resgatar discos rígidos quebrados; um cientista que estudava radiação cósmica de fundo chamou o S3 de "alucinante"; e quandoo rover Curiosity da NASApousou em Marte em 2012, milhões assistiram ao vivo graças à AWS.
Do ceticismo ao mainstream
Inicialmente vista como uma “aposta arriscada”, a nuvem enfrentou um ceticismo semelhante ao que hoje cerca a Inteligência Artificial. Duas décadas depois, a percepção mudou: até grandes bancos tradicionais, como o Itaú, já projetam migrar 100% de suas operações para a nuvem, enquanto o código original do S3, escrito em 2006, segue funcionando perfeitamente, mantendo 99,9999999999% de resiliência.
Vinte anos depois, a AWS continua inovando em IA, machine learning e computação quântica. E tudo começou com uma equipe pequena, um problema matemático e a crença de que a computação poderia ser diferente.